quinta-feira, 2 de abril de 2015

Conhecendo as Doutrinas Cristãs

Lição 1 – O Que é Crer
Lição 2 – Conhecendo a Bíblia
Lição 3 – Crendo para Interpretar a Bíblia
Lição 4 – Crendo no Deus Trino
Lição 5 – Crendo em Deus Pai
Lição 6 – Crendo em Jesus Cristo
Lição 7 – Crendo na Vinda de Jesus Cristo
Lição 8 – Crendo no Espírito Santo
Lição 9 – Crendo no Batismo com o Espírito Santo
Lição 10 – Crendo na Santa Igreja Cristã, a Comunhão dos Santos
Lição 11 – Crendo nas Ordenanças da Igreja Cristã
Lição 12 – Crendo na Graça de Deus
Lição 13 – Crendo Ressurreição do Corpo e na Vida Eterna

Quero agradecer a Deus pela alegria de ver mais um trabalho publicado. Nesse momento, passa um filme em nossa mente, e começamos a lembrar algumas coisas faladas lá atrás que se começa cumprir...
À minha esposa linda pela paciência e incentivo nos momentos mais intenso de produção textual ― igualmente, nos unimos também no momento de dor.
À Igreja Assembleia de Deus em São João de Meriti, comunidade onde congrego, e, particularmente, a pessoa do meu pastor Edgar dos Santos de Amorim, pela sua bênção e permissão de me afastar de alguns compromissos devido a esses trabalhos e outros literários.

Com muita humildade, peço aos amigos deste simples espaço que, na medida do possível, aprecie a leitura dessa revista. Foi um texto escrito com muita verdade e paixão no coração.

Paz e Bem!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ore, jejue e faça passeatas pacíficas, democráticas e patrióticas


Ontem não fui à manifestação que tomou as ruas do Brasil. Escolhi participar da Ceia do Senhor e do Batismo em Águas: ordenanças que aconteceram neste domingo na igreja em que congrego ― nada melhor do que vê nascidos de novo confessarem Cristo publicamente diante de Deus, da família e da Igreja. Creio piamente que o Brasil só será diferente quando grande parte do seu povo tiver um verdadeiro encontro com o Evangelho de Cristo (não o que se prega em nome dEle) e um sincero avivamento de dentro para fora acontecer nas igreja evangélica brasileira (o sinal claro desse avivamento é a quebra de um sistema de governo que emperra qualquer iniciativa simples e espontânea de um discípulo de Cristo). Entretanto, muitos irmãos em Cristo escolheram ir às ruas no dia de ontem.
Esses irmãos em nada “pecaram” contra o Senhor e à Igreja. É inadmissível em pleno século XXI, num momento crucial em que vivemos em nosso país, líderes religiosos dizerem: “crente não faz passeata, crente ora e jejua”. Com todo respeito a quem pensa diferente: crentes em Jesus ora e jejua, mas faz passeatas sim, desde que pacificamente. Não há pecado nisso, não há falta de fé, nem muito menos rebelião contra o governo central ― o nosso sistema governamental é tripartite: Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário; isto é, o presidente da república tem limites bem demarcados para exercer a sua função. E graças a Deus a nossa Constituição é democrática e quando o povo decide ir às ruas de maneira pacífica, ele está amparado constitucionalmente: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente [indo às ruas, colhendo assinaturas para fazer aprovar leis como a Ficha Limpa, etc.], nos termos desta Constituição” (Artigo 1º, parágrafo único da Constituição Brasileira). O povo nas ruas é como se fosse o cliente que pagou pelo serviço e foi lesado pela empresa prestadora desse serviço. É direito desse cliente de reclamar, processar e denunciar a empresa que o lesou. De certo modo, a presidência da república, as empresas estatais e o funcionalismo público são servidores da sociedade brasileira. Eles têm contas a prestar aos cidadãos que pagam impostos ― e impostos altíssimos. De fato, neste domingo, a sociedade resolveu pedir contas e deu um recado claro à presidente da República e ao Partido dos Trabalhadores: não aguentamos mais o jeito de vocês governarem.
Portanto, oremos e jejuemos, mas saiamos às ruas quando necessário. Sempre de forma pacífica, responsável e coerente, pois é um direito assegurado pela nossa Constituição. Como cidadãos, devemos cumprir a Constituição Brasileira e reclamá-la quando quem deveria fazer cumpri-la se omite: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tg 4.17).

Deus abençoe a nossa nação!

Paz e Bem!

P.S. 1 Quem pediu intervenção militar (diga-se: uma minoria em relação ao amplo movimento) não viveu o tempo da ditadura, e talvez nem saiba o que está sob a tutela de um governo despótico, seja essa ditadura de direita ou de esquerda. Além do mais, a intervenção defendia por alguns dentro do amplo movimento é inconstitucional e antidemocrática e, definitivamente, não resolverá o problema do país. Uma, das poucas cenas lamentáveis desse grandioso movimento nacional.

P.S. 2 Sou contra o impeachment da presidente, pois não há fatos concretos contra ela. Diferentemente do único presidente impedido pelo Congresso de governar, em que foi constatado depósitos não explicados nas contas particulares da secretária, do mordomo, da ex-mulher e da mãe, e despesas pessoais pagas pelo tesoureiro do seu partido, não há nada concreto nesse período de 3 meses de mandato que responsabilize a atual presidente da República.  Trocar governo não é como trocar de roupas. A sociedade precisa continuar cobrando, na esperança de que o Brasil retome o trilho até 2018, onde então, democraticamente e constitucionalmente, teremos direito de dar um sonoro “nãoooooooo” ao governo atual.

P.S. 3 É perfeitamente possível o Brasil ser o país do futebol e da política. Todo ato político é simbólico. E não houve nada mais simbólico do que as cores amarela e verde invadirem as ruas de nosso país. Diferente de sexta-feira, em que militantes pró-Dilma foram pagos pelos sindicatos, bancados por nós por intermédio das verbas públicas, escolheram as cores vermelhas do comunismo; os brasileiros preferiram o verde e o amarelo do Brasil e o hino nacional para dizer “basta!”. Não somos comunistas, somos brasileiros!

P.S. 4 Os crentes, como qualquer trabalhador brasileiro, não têm tempo de fazer passeata no dia de semana em pleno horário de expediente. O que resta é o período de tempo após o expediente (como aconteceu em junho de 2013) ou o domingo.


P.S. 5 Se na rua de acesso a uma igreja local passa uma ponte sobre um rio, cujas grades que protegem as pessoas de caírem nesse rio estão enferrujadas e quebradas há tempo, apenas esperando a primeira vítima para, em seguida, o órgão público responsável tomar a iniciativa que lhe cabe; o que impede uma igreja local de tirar fotos daquele fato, documentá-las, colher assinaturas de moradores e formalizar uma reclamação ao órgão público responsável? É mais produtivo para uma instituição religiosa ilibada denunciar o descaso público e solicitar a tomada de providência da questão do que uma pessoa física tentar fazê-lo. Mas após de o problema resolvido, virá a maior tentação da liderança local: a autoridade pública que solucionou a questão visitará a igreja a fim de receber dividendos eleitorais pela sua ação. É nesta hora que a Igreja Local deve dar “a César o que é de César”, isto é, agradecer gentilmente à autoridade pública por atender a reclamação da sociedade; mas igualmente “a Deus o que é de Deus”, ou seja, deixar claro para a autoridade que o que ela fez não foi mais do que a sua obrigação, e não o fez à Igreja, mas a sociedade que, consequentemente, a igreja está situada e que, acima de tudo, respeita os seus membros moradores daquela região e que precisam de acesso decente para ir e vir: o direito básico fundamental de qualquer cidadão. Aqui se faz ouvir mais ainda a advertência de Tiago, o irmão do Senhor: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tg 4.17).

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Domingo Cristão: encontros e desencontros

Domingo, “o dia do Senhor”. Encontros e desencontros religiosos são frequentes. No ônibus, no carro, na esquina, com os vizinhos; mas inevitavelmente na alma. É o dia em que os crentes saem para encontrar-se com o outro. O espaço religioso onde se dá o encontro é o Templo. Ali, as pessoas expressam suas emoções no encontro com o Sagrado ― ou não. 

É possível no mesmo espaço cúltico haver sentimentos e comportamentos tão distintos? A pergunta parece irracional, pois quando se trata de ser humano não se deve esperar outro comportamento: indivíduos realçando a própria personalidade. Entretanto, a pergunta é cabível no espaço religioso cristão, pois a coletividade depara-se com a mensagem unívoca de Jesus de Nazaré baseada no amor, na fé e na esperança.

Após um culto, como pode a pessoa não demonstrar, ou ao menos, sentir-se desafiada a amar quem está próximo? ― A esposa, o esposo, o filho, a filha, a mãe, o pai, o avô, a avó, o amigo, a amiga, o colega de trabalho com quem convivemos mais tempo que o nosso cônjuge... A lista é longa! E as possibilidades são muitas. Jesus de Nazaré é o próximo refletido nestas e outras pessoas (Mt 25.45).

Após um culto, por que uma pessoa não é instada a ter a fé de Jesus de Nazaré? ― a pergunta não é a fé “em”, mas a “de” Jesus. Impor-se a fé de Jesus é firmar o compromisso de realizar as mesmas obras do meigo nazareno. Mas não as mesmas obras de Jesus criadas pela mente evangélica hollywoodiana que só pensa em Milagres. Eu falo dos atos simples de Jesus como os de chorar diante de uma família por um amigo morto; consternar-se diante de uma mãe que acabara de perder o seu filho; indignar-se contra o sistema religioso opressor que rouba a alma e a inocência das pessoas: esses roubadores de almas parecem ser incapazes de se consternarem diante do sofrimento alheio. É o resultado da fé megalomaníaca. Esta não agrada a Deus! Mas sem a fé de Jesus é impossível agradá-Lo.

Após um culto, uma pessoa pode perder a esperança na vida? Num lugar onde, pelos motivos puros do Evangelho, ela devia ser impulsionada a ter esperança na vida, afoga-se em desesperos e em nós psicológicos esquecidos no “limbo” do subconsciente. A esperança teologal é para ser nutrida e manifesta num ambiente humano desesperado. É possível! O meigo nazareno recuperou essa esperança dos discípulos no caminho de Emaús quando eles a haviam perdido.

Amor, Fé e Esperança. O domingo dos encontros e desencontros religiosos pode se tornar em um dia de horror ou de amor, fé e esperança. De horror quando o espaço religioso encontra-se a serviço de uma máquina burocrática aonde as maiores e as principais casas de espetáculos do Brasil não chegam perto da complexidade e da engrenagem dos espetáculos religiosos dos domingos à noite. De amor, fé e esperança quando não há casa de espetáculo religioso nos domingos à noite, mas reuniões de pessoas simples que amam Jesus. Corações singelos, contritos; sofridos, sim! Mas amorosos, fervorosos e esperançosos no autor da preciosa fé.

Tenho visto o meio religioso bem de perto. Suas entranhas e lugares lúgubres. E garanto-lhe: há pessoas que se especializaram em usar a inocência alheia porque entendem ser o jeito mais fácil de enriquecerem, ficarem famosos e manter pequenos impérios em nome da fé. Confesso: não me acostumei a esse ambiente. Alegro-me por um lado porque é sinal de que não me vendi. Mas por outro, dilacero-me por ver, todos os dias, pessoas outrora humildes, portadoras de sentimentos puros e de ideais legítimos, transformando-se em cascas impenetráveis da dissimulação. O Evangelho jamais poderá frutificar: se é que um dia houve semente ali.

Para tais pessoas, o domingo tem sido de desencontros angustiantes e decepcionantes, embora algumas ainda não tenham se dado conta disso. Outras são as que promovem os desencontros do domingo.

Todavia, a minha esperança está em pessoas cujo domingo não é uma mera casa de espetáculo religioso. Mas a celebração do grande encontro de amor, fé e esperança que explode e multiplica-se em encontros verdadeiros e espontâneos que perdura o resto da semana, do mês, do ano e ao longo da existência.

Um domingo...

Paz e Bem!

M.O.O.
Rio de Janeiro - RJ
        

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A PENTECOSREFORMA


Marcelo Oliveira de Oliveira

Um culto simples, a pequena igreja cheia do Espírito, de pessoas doutas e incultas, alfabetizadas e analfabetas. Num processo misterioso de simbiose entre o espírito, o coração, e a mente, embora este último fosse ignorado por muitos e em muitas décadas sistematicamente. Mas o Espírito, o Coração e a Mente estavam unos lá marcando e fazendo a história da maior igreja evangélica brasileira.
O tempo passou, se passou, foi passando e passando... Chegou! O tempo em que degrau a degrau a pequenina igreja foi se agigantando e transformou-se na Igreja. Na Igreja da Liturgia. Na Igreja da Burocracia. Na Igreja da Política Eclesiástica. Todavia, a igrejinha continua lá. Na liberdade da sua simplicidade. Sim! E dos seus muitos exageros. Subindo os morros, buscando os drogados, as prostitutas; enquanto que os “intelectuais pentecosreformados” da Igreja Grande, das suas confortáveis poltronas, ficam a dizer o que pode ou não fazer a igreja simples.
“Irmãs do coque”, “não cortam os cabelos por legalismo”, “púlpito não é lugar para analfabetos”; “mulheres sem vaidades oprimidas pelos seus pastores”; “os coronéis legalistas de uma figa” ― dizem os pentecosreformizados supostamente defendendo a liberdade da Graça quando não compreendem que uma cultura não se muda da noite para o dia.
A pessoa simples da igreja simples peregrina pela rua e depara-se com um simples profeta nunca dantes visto, a dizer:

― A tua filhinha está doente. Entrega o meu recado ao meu povo e dela cuidarei!

A pessoa simples imediatamente obedece a voz de que ela entendeu ser a do seu Senhor. No ato da entrega do recado divino, em sua simplicidade, a pessoa simples se alegra no divino Salvador, explode em gloriosa e profusa glossolalia. Pula, canta e dança no Espírito do Senhor.
Mas o caso cai na rede social. A íntima experiência passa a análise pública dos “intelectuais pentecosreformados”. Os cientistas religiosos analisam a experiência alheia como um objeto fenomenológico da experiência religiosa fosse passível de dissecação sob o pressuposto da “Sola Scriptura”.
A fórmula contemporânea do Espírito é assim: Para se glorificar a Deus deve-se falar em língua baixinho, um de cada vez (1 Coríntios 12 e 14 diz que tem de haver ordem e decência). Quem diria! O processo de PentecosReforma, embora incipiente, por trás da tese da “única Teologia que honra a Deus e Humilha o Homem”, vem humilhando centenas de irmãos e irmãs sinceros que tiveram experiências profundas e subjetivas com Deus. De maneira alguma exalta a Deus!
Embora, sem voz, mas sendo a maioria, a igreja simples luta por não perder o bem mais precioso da sua história: a espontaneidade do Espírito e a simplicidade de igreja.
O tempo vai passando, está passando e vai chegando... A PentecosReforma vai chegando e tá chegando...



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CONTRA A EXPLORAÇÃO E A OMISSÃO

Por Marcelo Oliveira de Oliveira


O amor cristão deve se manifestar em todo ambiente que demanda o relacionamento humano. Principalmente nos círculos cristãos. Naturalmente, o amor de Cristo não é nem pode ser de viés obrigatório, pois amor compelido não é verdadeiro. Este é voluntário, espontâneo e não espera de ninguém nada em troca.

O amor demonstrado por Jesus designa-nos a sermos um e somente um corpo com Ele. À luz desse amor podemos destacar alguns desdobramentos do relacionamento humano-cristão de funcionário para o patrão e de patrão para funcionário.

Enquanto funcionários de uma empresa, nossa real motivação deve ser a do respeito. Somos chamados a viver uma dimensão de serviço a Deus e também aos homens. De sorte, não há como honrar a Deus se a minha dimensão relacional com os homens de autoridade está confusa ou quebrada. É impossível viver um dualismo entre “servir a Deus” e “não servir o próximo”.

O discípulo de Jesus é outorgado a fazer o bem e a desenvolver-se no que faz, não somente por causa do patrão, mas acima de tudo por Cristo e pela autonomia da própria consciência. Aí se revela a plena realização humana! Pois patrão e funcionário têm um mesmo Senhor, não havendo favoritismo de Deus nessa relação. O mesmo Senhor auxilia o patrão e o funcionário. Fazendo de ambos, irmãos.

Ao patrão, o que pensar sobre o que a Palavra de Deus diz a respeito da tua relação com o teu funcionário? Certa feita o nosso Senhor disse que no mundo gentílico o mais forte subjugar o mais fraco era perfeitamente normal. Mas entre nós, não! Entre nós não poderia, e nem pode!, ser assim. No meio dos cristãos o amor mútuo dos irmãos é o que deveria sobrepujar. Cada qual exercerá o seu próprio papel, seja na função de patrão ou na de funcionário. Afinal de contas, hoje você é o patrão, mas amanhã poderás se tornar um funcionário.

O patrão portador de uma consciência cristã deve ao seu funcionário um tratamento digno. De um colaborador. Não o da concepção selvagem e descartável do Capitalismo onde o empregado não passa de uma peça que pode a ser descartada a qualquer momento. Mas de uma consciência do Evangelho onde o ser humano é a imagem de Deus e duas pessoas ligadas ao Pai através de Cristo são igualmente dignas. O patrão, no empreendimento; o funcionário na atividade regular. Nesta perspectiva, o funcionário é parceiro, não inimigo; o funcionário quer crescer com o empreendimento, não decrescer; o funcionário é investimento, não gasto; O funcionário é colaborador, não empregado. O empresário cristão tem ter a mente de Cristo.   

Ambos, patrões e funcionários, não podem se esquecer: “Sujeitai-vos um ao outro em amor”. A qualquer tempo e em toda dimensão profissional, seja ou não de orientação cristã.

A Epístola de Tiago é um grito do Novo Testamento contra a injustiça contra o funcionário, a exploração econômica e toda sorte de males que “os ricos deste mundo”, crentes ou não, poderiam evitar se assumissem a consciência que emana do Evangelho: a de ter fome e sede de justiça.


Texto extraído e adaptado da revista “Ensinador Cristão”, ano 15, Nº 59, CPAD, p.42.

terça-feira, 29 de julho de 2014

TRADIÇÃO OU TRAIÇÃO?

Por Alan Capriles

Boa parte daquilo que ocorre no meio religioso pode ser chamado de tradição, ou seja, são práticas perpetuadas por gerações, mas que não possuem real valor para a fé que se diz professar. Em outras palavras, poderíamos viver muito bem sem elas – e, em alguns casos, muito melhor sem elas. No entanto, nem toda tradição é necessariamente negativa. Quando existe coerência em tais práticas, não há problema algum em mantê-las, especialmente quando servem para auxiliar em nosso desenvolvimento espiritual. O problema ocorre quando tradições entram em choque com ensinamentos essenciais da fé que se diz professar. Mais grave ainda é quando crentes decidem ignorar tais ensinamentos por causa de uma tradição. Nesse caso, uma tradição acaba se tornando não somente um empecilho, mas uma traição direta a essa mesma fé. 

Encontramos no cristianismo diversos exemplos de tradições que contrariam o que Cristo ensinou. Estou certo de que no budismo também ocorra o mesmo em relação ao Buda, assim como no islamismo, em relação a Maomé.[1] Mas, como pastor, prefiro me ater ao cristianismo, especialmente em sua vertente evangélica – meio religioso que conheço muito bem, a ponto de sentir-me a vontade para questioná-lo. Certamente não conseguirei abordar todas as tradições evangélicas que se constituem numa traição a Cristo, pois temo que sejam muitas! No entanto, espero dar um ponto de partida, a fim de que o leitor faça suas próprias reflexões, descobertas e, se houver coragem, as devidas mudanças.

De fato, é preciso ter o mínimo de coragem para se questionar uma tradição. Recentemente, por exemplo, pensei que fossem me agredir apenas porque apontei, calma e educadamente, uma tradição cristã que se opõe ao que Cristo ensinou. Meu questionamento havia sido em relação às poltronas (geralmente luxuosas) que ficam sobre os altares de algumas igrejas e que dão proeminência para os pastores – uma tradição mantida pela maioria das igrejas evangélicas. Ora, por mais que isso pareça normal, não podemos negar que Cristo foi bastante claro em repudiar aqueles que fazem “as suas obras com o fim de serem vistos pelos homens” e que amam “as primeiras cadeiras” nos locais de culto. E ainda que o Senhor não tivesse sido tão direto, a simples lembrança de que “quem a si mesmo se exaltar será humilhado” deveria ser o bastante para que evitássemos qualquer autopromoção. Mas, lamentavelmente, esse é um cuidado que poucos crentes levam a sério.

E que tal isso: Jesus também ordenou que “o maior dentre vós será vosso servo”, todavia, na maioria das igrejas evangélicas o pastor é servido pelos demais irmãos – algo que é visto com a maior naturalidade. Não seria essa postura mais uma traição a Cristo que se passa por uma tradição cristã? Prova disso é que, como ocorre em toda tradição, fugir a essa regra não somente pode causar estranheza, mas também incômodo. Certa vez um pastor idoso que visitava nossa igreja não conseguiu se conter e repreendeu-me ao perceber que eu ajudava na preparação do culto. Segundo ele, que se julgava bastante experiente no ministério pastoral, deveria eu ficar sentado e não fazer coisa alguma, sugerindo que nós, pastores, seríamos diferentes dos demais irmãos. Prontamente o indaguei: “Mas não foi o próprio Senhor Jesus que disse ter vindo para servir e não para ser servido?” Como eu já imaginava, aquele pastor mudou de assunto e não me deu resposta. Mas, isso não importa – todos nós sabemos que não somos melhores do que Jesus. Da mesma forma, nossas tradições também não estão acima do que Cristo nos ensinou; mas, a despeito disso, milhares de igrejas as mantêm – na maioria das vezes, numa descarada traição ao Senhor.

Outro exemplo desse tipo de traição (alguém poderá rir) é a chamada cantina. Não tenho dúvidas de que esse comércio se tornou uma tradição, pois a cantina está presente em praticamente todas as igrejas evangélicas, funcionando logo após, ou mesmo durante a realização dos cultos. Reconheço que a prática dos cristãos comerem juntos é antiquíssima, remontando ao período apostólico, no qual esses encontros foram apelidados de ágapes. Ora, não há nada de errado nisso. Quando comemos juntos estamos fortalecendo a comunhão e promovendo o amor ao próximo, razão pela qual o termo ágape servia muito bem para tais ocasiões, nas quais o alimento era compartilhado. O problema é que hoje raramente se encontra uma igreja caracterizada pelo amor, ao menos não nesse sentido, pois tudo que se quiser comer ou beber será vendido na cantina – e não doado, como deveria ser. Quem tiver dinheiro, compra; quem não tiver, vai embora com fome. Ou então terá que passar pelo constrangimento de pedir, como já foi sugerido por certo pastor, que sempre anunciava no final de cada culto: “Temos cantina, mas se você não tem como pagar, venha falar comigo.” Até hoje não sei se o pastor pagava por esse lanche, ou se apenas emprestava o dinheiro. Seja como for, por que fazer alguém passar pelo constrangimento de dizer que está duro? Não seria muito melhor acabar com esse comércio e dar de graça o lanche para os irmãos?

Poucos percebem que a cantina, ou lanchonete, não é somente uma tradição nas igrejas, mas também uma traição a Cristo, que nos ensinou justamente o contrário dessa prática. Ou alguém se esqueceu de que foi o próprio Jesus quem expulsou os vendilhões do templo? O recado por trás disso é bastante claro, não fosse ele distorcido por pregadores que tratam de espiritualizar essa PASSAGEM bíblica, ao se alegar que o Senhor estaria somente ilustrando a purificação do nosso corpo, o templo do Espírito Santo. E assim, com essa manobra teológica, a cantina tem permanecido, fazendo com que a chamada “casa de Deus” continue sendo lugar de comércio e não da prática de amor ao próximo.

O mesmo aplica-se ao chamado bazar beneficente. Irmãos trazem roupas usadas que depois serão vendidas para a comunidade, geralmente na porta da igreja. Ainda que sejam repassadas por um preço acessível, não seria mais correto que essas roupas fossem doadas? De acordo com o que Jesus nos alertou, devemos proceder de tal forma que, no dia do juízo, o Senhor nos declare: “estava nu e me vestistes”. Ora, isso é muito diferente de “estava nu e me vendestes uma peça de roupa, bem baratinho.” Aliás, nem costuma ser mais tão baratinho assim...

Se você é um cristão evangélico sincero, certamente decidirá romper com essas tradições, mas devo alertá-lo: não espere que sua postura seja aplaudida pelos demais membros de sua igreja. Basta lembrarmos que o próprio Jesus também sofreu com isso, sendo acusado pelos religiosos de estar desprezando a tradição dos anciãos. Sua resposta foi um questionamento que continua válido para os religiosos de nossos dias: “E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?”[2]

Ora, dois mil anos se passaram, mas, como já foi demonstrado, continuam existindo tradições que se opõem à vontade de Deus. O apego a essas tradições é algo extremamente danoso, pois significa preferir o que aparentemente “dá certo” em lugar do que realmente “é certo”. Parece não haver nada de errado nas poltronas sobre o altar, pois elas têm a finalidade prática de facilitar que os pastores supervisionem o culto; mas aqueles que nelas se assentam poderão sentir-se orgulhosos e soberbos – especialmente se essas poltronas forem mais luxuosas que o assento dos demais irmãos – o que não é correto. A cantina pode até facilitar a vida de alguns membros da igreja, os quais não precisarão procurar uma lanchonete após o culto, mas também poderá gerar constrangimento nos irmãos mais pobres, que não terão dinheiro para comprar um lanche. Nesses dois casos, assim como nos exemplos anteriores, não vale à pena insistir na tradição, mas abandoná-la de uma vez por todas! Da mesma forma, deveríamos rejeitar a obrigatoriedade do uso de gravata e paletó para se pregar, algo que se torna sacrificante num país tropical como o Brasil, especialmente no verão. 

Por outro lado, há tradições cristãs que são inofensivas, tais como a bênção apostólica proferida no final de cada culto, ou o cumprimento dos pastores junto à porta de saída do templo, ou ainda a apresentação de crianças recém-nascidas à igreja. Outras, por conseguinte, somente serão tradições inofensivas quando houver a compreensão de que se tratam exclusivamente de tradições e não de mandamentos essenciais à fé. 

Como exemplos de tradições que costumam ser confundidas com ordenanças, podemos citar a prática do dízimo e a edificação de templos. Ainda que não seja errado fazer uma coisa ou outra, torna-se errado quando alguém as confunde com obrigatoriedade, condenando quem decida ofertar livremente, ou quem preferira congregar nos lares, ao invés de filiar-se a denominações cristãs. É importante lembrarmos que a entrega de dízimos, assim como a edificação de templos, não são mandamentos da parte de Deus (ao menos não na Nova Aliança), mas práticas que podem ou não auxiliar em nosso desenvolvimento espiritual. O dízimo, por exemplo, só será benéfico se for entregue espontaneamente e não sob ameaças de maldição; e o templo, por sua vez, se for visto como um local para reuniões e não como “casa de Deus”.[3] Ainda que haja muito barulho a respeito desses temas, o fato é que estamos falando de tradições – tradições sem as quais a igreja de Cristo sobreviveu muito bem nos três primeiros séculos de sua história. Os primeiros cristãos compreendiam que a prática do dízimo judaico caiu juntamente com os muros do templo de Herodes, ao qual ele se destinava. Compreendiam também que a igreja somos nós e não uma construção de pedra, razão pela qual se reuniam nos lares. Por conseguinte, não há nada de errado se, por necessidade de um espaço maior, cristãos decidirem alugar, comprar ou construir uma edificação – contanto que os gastos com esse local não ultrapassem o básico necessário.[4] Também não há nada de errado se cristãos quiserem exercer o dízimo, mas desde que seja uma prática espontânea e que se compreenda o seu propósito prático: o de não se ofertar menos que dez por cento da sua renda, o que não é nada se comparado com a quantia que ofertavam os primeiros cristãos.[5]

Sendo assim, há tradições que, apesar de aparentemente inofensivas, podem tornar-se maléficas quando compreendidas como algo obrigatório. E esse mal consiste não somente no equívoco de se condenar aqueles que não praticam tais tradições, mas também no medo e na culpa que cristãos desinformados podem sentir quando não as mantém. Por outro lado, e como já vimos em exemplos anteriores, há tradições que nada tem de inofensivas, pois contrariam frontalmente o que Cristo nos ensinou. Tais tradições, uma vez identificadas, deveriam ser completamente extirpadas do meio cristão. Quem se omite a esse respeito não somente contribui para perpetuar uma perniciosa tradição, mas também se torna conivente com ela, tornando-se nada menos que um traidor de Cristo – alguém que lhe dá um carinhoso beijo na face, enquanto despreza seus mais claros ensinamentos de humildade e amor.

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NOTAS
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[1] Não estou sugerindo que Jesus deva ser comparado a Buda, ou a Maomé, mas apenas afirmando que o mesmo fenômeno das tradições ocorre tanto no cristianismo, quanto nas demais religiões. 

[2] Esta referência (Mateus 15:3) encontra-se na Nova Versão Internacional. As referências anteriores estão na versão Almeida Revista e Atualizada e podem ser encontradas em Mateus 23:5,6,11,12; 25:36.

[3] A casa de Deus somos nós.

[4] A ostentação com o local de culto é um pecado grave, pois desvia as ofertas de sua correta destinação, que deveria ser o auxílio às pessoas carentes e a evangelização.

[5] Confira: Atos 2:45 e 4:34,35.

FONTE: Texto extraído do blog http://alancapriles.blogspot.com.br/ Acesso em 29 de Jul. de 2014. <http://alancapriles.blogspot.com.br/2014/07/tradicao-ou-traicao.html>

sexta-feira, 25 de julho de 2014

8º CONGRESSO NACIONAL DE ESCOLA DOMINICAL - CPAD





Entre os dias 12 e 15 de Março de 2015 ocorrerá o 8º Congresso Nacional de Escola Dominical da CPAD. Este é considerado o maior evento educacional cristão voltado para a Escola Dominical no Brasil e acontecerá no novo templo da Assembleia de Deus Ministério do Belém em São Paulo sob o tema: "Instruindo para toda a boa obra" (2 Tm 3.17). 
"Nesta oitava edição, os participantes vão contar com o mesmo zelo na ministração da doutrina bíblica e de matérias de reciclagem para professores e superintendentes de ED, através de preletores munidos de importantes informações, destacando o conhecimento e a aprendizagem a fim de alcançar os objetivos propostos." Declarou o ir. Ronaldo Rodrigues, diretor Executivo da CPAD. Dentre os preletores confirmados estão o Pr. Antônio Gilberto, Pr. Alexandre Coelho, Pr. Claudionor de Andrade, Pr. César Moisés e, os internacionais, Pr. Stan Toller, Drª Michelle Anthony, Dr. Clancy Hayes e Profª Marlene LeFever.

8º CONGRESSO NACIONAL DE ESCOLA DOMINICAL
"Instruindo para toda a boa obra" 2 Tm 3.17
12 a 15 de Março de 2015
São Paulo/SP 
Plenárias - Seminários - Workshops 
Local do Evento : Igreja Evangélica Assembleia de Deus -- Ministério do Belém
Rua Conselheiro Cotegipe, 273 -- Bairro Belém

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES 
(21) 2406-7400 / 2406-7482
E-mail: eventos@cpad.com.br 

Paz e Bem!