terça-feira, 29 de julho de 2014

TRADIÇÃO OU TRAIÇÃO?

Por Alan Capriles

Boa parte daquilo que ocorre no meio religioso pode ser chamado de tradição, ou seja, são práticas perpetuadas por gerações, mas que não possuem real valor para a fé que se diz professar. Em outras palavras, poderíamos viver muito bem sem elas – e, em alguns casos, muito melhor sem elas. No entanto, nem toda tradição é necessariamente negativa. Quando existe coerência em tais práticas, não há problema algum em mantê-las, especialmente quando servem para auxiliar em nosso desenvolvimento espiritual. O problema ocorre quando tradições entram em choque com ensinamentos essenciais da fé que se diz professar. Mais grave ainda é quando crentes decidem ignorar tais ensinamentos por causa de uma tradição. Nesse caso, uma tradição acaba se tornando não somente um empecilho, mas uma traição direta a essa mesma fé. 

Encontramos no cristianismo diversos exemplos de tradições que contrariam o que Cristo ensinou. Estou certo de que no budismo também ocorra o mesmo em relação ao Buda, assim como no islamismo, em relação a Maomé.[1] Mas, como pastor, prefiro me ater ao cristianismo, especialmente em sua vertente evangélica – meio religioso que conheço muito bem, a ponto de sentir-me a vontade para questioná-lo. Certamente não conseguirei abordar todas as tradições evangélicas que se constituem numa traição a Cristo, pois temo que sejam muitas! No entanto, espero dar um ponto de partida, a fim de que o leitor faça suas próprias reflexões, descobertas e, se houver coragem, as devidas mudanças.

De fato, é preciso ter o mínimo de coragem para se questionar uma tradição. Recentemente, por exemplo, pensei que fossem me agredir apenas porque apontei, calma e educadamente, uma tradição cristã que se opõe ao que Cristo ensinou. Meu questionamento havia sido em relação às poltronas (geralmente luxuosas) que ficam sobre os altares de algumas igrejas e que dão proeminência para os pastores – uma tradição mantida pela maioria das igrejas evangélicas. Ora, por mais que isso pareça normal, não podemos negar que Cristo foi bastante claro em repudiar aqueles que fazem “as suas obras com o fim de serem vistos pelos homens” e que amam “as primeiras cadeiras” nos locais de culto. E ainda que o Senhor não tivesse sido tão direto, a simples lembrança de que “quem a si mesmo se exaltar será humilhado” deveria ser o bastante para que evitássemos qualquer autopromoção. Mas, lamentavelmente, esse é um cuidado que poucos crentes levam a sério.

E que tal isso: Jesus também ordenou que “o maior dentre vós será vosso servo”, todavia, na maioria das igrejas evangélicas o pastor é servido pelos demais irmãos – algo que é visto com a maior naturalidade. Não seria essa postura mais uma traição a Cristo que se passa por uma tradição cristã? Prova disso é que, como ocorre em toda tradição, fugir a essa regra não somente pode causar estranheza, mas também incômodo. Certa vez um pastor idoso que visitava nossa igreja não conseguiu se conter e repreendeu-me ao perceber que eu ajudava na preparação do culto. Segundo ele, que se julgava bastante experiente no ministério pastoral, deveria eu ficar sentado e não fazer coisa alguma, sugerindo que nós, pastores, seríamos diferentes dos demais irmãos. Prontamente o indaguei: “Mas não foi o próprio Senhor Jesus que disse ter vindo para servir e não para ser servido?” Como eu já imaginava, aquele pastor mudou de assunto e não me deu resposta. Mas, isso não importa – todos nós sabemos que não somos melhores do que Jesus. Da mesma forma, nossas tradições também não estão acima do que Cristo nos ensinou; mas, a despeito disso, milhares de igrejas as mantêm – na maioria das vezes, numa descarada traição ao Senhor.

Outro exemplo desse tipo de traição (alguém poderá rir) é a chamada cantina. Não tenho dúvidas de que esse comércio se tornou uma tradição, pois a cantina está presente em praticamente todas as igrejas evangélicas, funcionando logo após, ou mesmo durante a realização dos cultos. Reconheço que a prática dos cristãos comerem juntos é antiquíssima, remontando ao período apostólico, no qual esses encontros foram apelidados de ágapes. Ora, não há nada de errado nisso. Quando comemos juntos estamos fortalecendo a comunhão e promovendo o amor ao próximo, razão pela qual o termo ágape servia muito bem para tais ocasiões, nas quais o alimento era compartilhado. O problema é que hoje raramente se encontra uma igreja caracterizada pelo amor, ao menos não nesse sentido, pois tudo que se quiser comer ou beber será vendido na cantina – e não doado, como deveria ser. Quem tiver dinheiro, compra; quem não tiver, vai embora com fome. Ou então terá que passar pelo constrangimento de pedir, como já foi sugerido por certo pastor, que sempre anunciava no final de cada culto: “Temos cantina, mas se você não tem como pagar, venha falar comigo.” Até hoje não sei se o pastor pagava por esse lanche, ou se apenas emprestava o dinheiro. Seja como for, por que fazer alguém passar pelo constrangimento de dizer que está duro? Não seria muito melhor acabar com esse comércio e dar de graça o lanche para os irmãos?

Poucos percebem que a cantina, ou lanchonete, não é somente uma tradição nas igrejas, mas também uma traição a Cristo, que nos ensinou justamente o contrário dessa prática. Ou alguém se esqueceu de que foi o próprio Jesus quem expulsou os vendilhões do templo? O recado por trás disso é bastante claro, não fosse ele distorcido por pregadores que tratam de espiritualizar essa PASSAGEM bíblica, ao se alegar que o Senhor estaria somente ilustrando a purificação do nosso corpo, o templo do Espírito Santo. E assim, com essa manobra teológica, a cantina tem permanecido, fazendo com que a chamada “casa de Deus” continue sendo lugar de comércio e não da prática de amor ao próximo.

O mesmo aplica-se ao chamado bazar beneficente. Irmãos trazem roupas usadas que depois serão vendidas para a comunidade, geralmente na porta da igreja. Ainda que sejam repassadas por um preço acessível, não seria mais correto que essas roupas fossem doadas? De acordo com o que Jesus nos alertou, devemos proceder de tal forma que, no dia do juízo, o Senhor nos declare: “estava nu e me vestistes”. Ora, isso é muito diferente de “estava nu e me vendestes uma peça de roupa, bem baratinho.” Aliás, nem costuma ser mais tão baratinho assim...

Se você é um cristão evangélico sincero, certamente decidirá romper com essas tradições, mas devo alertá-lo: não espere que sua postura seja aplaudida pelos demais membros de sua igreja. Basta lembrarmos que o próprio Jesus também sofreu com isso, sendo acusado pelos religiosos de estar desprezando a tradição dos anciãos. Sua resposta foi um questionamento que continua válido para os religiosos de nossos dias: “E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?”[2]

Ora, dois mil anos se passaram, mas, como já foi demonstrado, continuam existindo tradições que se opõem à vontade de Deus. O apego a essas tradições é algo extremamente danoso, pois significa preferir o que aparentemente “dá certo” em lugar do que realmente “é certo”. Parece não haver nada de errado nas poltronas sobre o altar, pois elas têm a finalidade prática de facilitar que os pastores supervisionem o culto; mas aqueles que nelas se assentam poderão sentir-se orgulhosos e soberbos – especialmente se essas poltronas forem mais luxuosas que o assento dos demais irmãos – o que não é correto. A cantina pode até facilitar a vida de alguns membros da igreja, os quais não precisarão procurar uma lanchonete após o culto, mas também poderá gerar constrangimento nos irmãos mais pobres, que não terão dinheiro para comprar um lanche. Nesses dois casos, assim como nos exemplos anteriores, não vale à pena insistir na tradição, mas abandoná-la de uma vez por todas! Da mesma forma, deveríamos rejeitar a obrigatoriedade do uso de gravata e paletó para se pregar, algo que se torna sacrificante num país tropical como o Brasil, especialmente no verão. 

Por outro lado, há tradições cristãs que são inofensivas, tais como a bênção apostólica proferida no final de cada culto, ou o cumprimento dos pastores junto à porta de saída do templo, ou ainda a apresentação de crianças recém-nascidas à igreja. Outras, por conseguinte, somente serão tradições inofensivas quando houver a compreensão de que se tratam exclusivamente de tradições e não de mandamentos essenciais à fé. 

Como exemplos de tradições que costumam ser confundidas com ordenanças, podemos citar a prática do dízimo e a edificação de templos. Ainda que não seja errado fazer uma coisa ou outra, torna-se errado quando alguém as confunde com obrigatoriedade, condenando quem decida ofertar livremente, ou quem preferira congregar nos lares, ao invés de filiar-se a denominações cristãs. É importante lembrarmos que a entrega de dízimos, assim como a edificação de templos, não são mandamentos da parte de Deus (ao menos não na Nova Aliança), mas práticas que podem ou não auxiliar em nosso desenvolvimento espiritual. O dízimo, por exemplo, só será benéfico se for entregue espontaneamente e não sob ameaças de maldição; e o templo, por sua vez, se for visto como um local para reuniões e não como “casa de Deus”.[3] Ainda que haja muito barulho a respeito desses temas, o fato é que estamos falando de tradições – tradições sem as quais a igreja de Cristo sobreviveu muito bem nos três primeiros séculos de sua história. Os primeiros cristãos compreendiam que a prática do dízimo judaico caiu juntamente com os muros do templo de Herodes, ao qual ele se destinava. Compreendiam também que a igreja somos nós e não uma construção de pedra, razão pela qual se reuniam nos lares. Por conseguinte, não há nada de errado se, por necessidade de um espaço maior, cristãos decidirem alugar, comprar ou construir uma edificação – contanto que os gastos com esse local não ultrapassem o básico necessário.[4] Também não há nada de errado se cristãos quiserem exercer o dízimo, mas desde que seja uma prática espontânea e que se compreenda o seu propósito prático: o de não se ofertar menos que dez por cento da sua renda, o que não é nada se comparado com a quantia que ofertavam os primeiros cristãos.[5]

Sendo assim, há tradições que, apesar de aparentemente inofensivas, podem tornar-se maléficas quando compreendidas como algo obrigatório. E esse mal consiste não somente no equívoco de se condenar aqueles que não praticam tais tradições, mas também no medo e na culpa que cristãos desinformados podem sentir quando não as mantém. Por outro lado, e como já vimos em exemplos anteriores, há tradições que nada tem de inofensivas, pois contrariam frontalmente o que Cristo nos ensinou. Tais tradições, uma vez identificadas, deveriam ser completamente extirpadas do meio cristão. Quem se omite a esse respeito não somente contribui para perpetuar uma perniciosa tradição, mas também se torna conivente com ela, tornando-se nada menos que um traidor de Cristo – alguém que lhe dá um carinhoso beijo na face, enquanto despreza seus mais claros ensinamentos de humildade e amor.

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NOTAS
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[1] Não estou sugerindo que Jesus deva ser comparado a Buda, ou a Maomé, mas apenas afirmando que o mesmo fenômeno das tradições ocorre tanto no cristianismo, quanto nas demais religiões. 

[2] Esta referência (Mateus 15:3) encontra-se na Nova Versão Internacional. As referências anteriores estão na versão Almeida Revista e Atualizada e podem ser encontradas em Mateus 23:5,6,11,12; 25:36.

[3] A casa de Deus somos nós.

[4] A ostentação com o local de culto é um pecado grave, pois desvia as ofertas de sua correta destinação, que deveria ser o auxílio às pessoas carentes e a evangelização.

[5] Confira: Atos 2:45 e 4:34,35.

FONTE: Texto extraído do blog http://alancapriles.blogspot.com.br/ Acesso em 29 de Jul. de 2014. <http://alancapriles.blogspot.com.br/2014/07/tradicao-ou-traicao.html>

sexta-feira, 25 de julho de 2014

8º CONGRESSO NACIONAL DE ESCOLA DOMINICAL - CPAD





Entre os dias 12 e 15 de Março de 2015 ocorrerá o 8º Congresso Nacional de Escola Dominical da CPAD. Este é considerado o maior evento educacional cristão voltado para a Escola Dominical no Brasil e acontecerá no novo templo da Assembleia de Deus Ministério do Belém em São Paulo sob o tema: "Instruindo para toda a boa obra" (2 Tm 3.17). 
"Nesta oitava edição, os participantes vão contar com o mesmo zelo na ministração da doutrina bíblica e de matérias de reciclagem para professores e superintendentes de ED, através de preletores munidos de importantes informações, destacando o conhecimento e a aprendizagem a fim de alcançar os objetivos propostos." Declarou o ir. Ronaldo Rodrigues, diretor Executivo da CPAD. Dentre os preletores confirmados estão o Pr. Antônio Gilberto, Pr. Alexandre Coelho, Pr. Claudionor de Andrade, Pr. César Moisés e, os internacionais, Pr. Stan Toller, Drª Michelle Anthony, Dr. Clancy Hayes e Profª Marlene LeFever.

8º CONGRESSO NACIONAL DE ESCOLA DOMINICAL
"Instruindo para toda a boa obra" 2 Tm 3.17
12 a 15 de Março de 2015
São Paulo/SP 
Plenárias - Seminários - Workshops 
Local do Evento : Igreja Evangélica Assembleia de Deus -- Ministério do Belém
Rua Conselheiro Cotegipe, 273 -- Bairro Belém

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES 
(21) 2406-7400 / 2406-7482
E-mail: eventos@cpad.com.br 

Paz e Bem!

terça-feira, 15 de julho de 2014

SOBRE UMA CORRENTE DE TERRORISMO ESCATOLÓGICO NAS REDES SOCIAIS


Prezados amigos e amigas, Paz e Bem!

Escrevi o texto abaixo no dia 25 de Abril do corrente ano. Leiam novamente! 
Percebam como este tipo de coisa não ajuda em nada o Reino de Deus. A Copa terminou e nada que foi predito se cumpriu. Não quero discutir aqui se as pessoas que proferiram essas profecias, usando a rede social, são ou não falsos profetas ou algo do gênero. Mas a banalização deste Dom tão relevante à Igreja é um mal que só traz incredulidade, incompreensão e ridicularização para os pentecostais no Brasil. Tanto para o Caos quanto para o Triunfalismo, profecias como estas não devem tomar as proporções que receberam. 

Lamentável!!!

Leia este trecho, depois eu volto:

"Aconteceu em uma igreja na Bahia semana passada, sexta-feira passada uma menina de 06anos, que é da igreja, acordou de manha e contou a sua mãe sobre um sonho, que Deus falou com ela e pediu para ela passar o recado a igreja, ela teve oportunidade na igreja e falou que teve um sonho que Deus falava pra ela falar para os irmão orarem mais e vigiassem muito, e que se preparem -se, porque essa copa de 2014, vai acontecer uma tragédia tão grande que vai abalar não so o Brasil, mas o mundo inteiro, e era pra todos orarem muito e pedi muita misericórdia pra Deus nos livrar, e Deus falava no sonho pra ela também falar pra igreja, que todos acreditassem que era um recardo de Deus, ele falou no sonho pra ela que depois que ela contassem o sonho na igreja Deus iria recolher ela em 2 dias depois, essa criança contou esse sonho na sexta-feira passada e no domingo ela morreu, simplesmente durmiu no sábado e não acordou mais, exatamente os 2 dias depois que Deus falou com ela no sonho. Fizeram o enterro dela, foram reporteres no local pra entender o que aconteceu, mas mesmo assim tem pessoas que não acreditam nessa revelação que Deus passou a uma menina de apenas 06anos. Deus levou uma alma somente para despertar a igreja, e alertar e que possamos nos preparar, Deus disse que nessa copa de 2014 irá acontecer uma tragédia muito grande que vai abalar o mundo inteiro.
"Apocalipse: 2. 7. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. "
(Tantos acontecimentos, muitas opiniões e uma só certeza: O Rei está voltando.)
‪#‎Repassando‬"(sic)

Voltei:
Este texto está sendo repassado como corrente no Facebock. Trata-se de uma informação sem uma fonte segura.

Então, não compartilhe isso a esmo. Trata-se de mais uma forma de pessoas colocarem terror e medo escatológicos sobre as outras.

Sobre o que pode acontecer com o Brasil, não é preciso receber uma revelação de Deus para isto. Eu mesmo falei sobre a minha angústia sobre a condição do Brasil, ontem, no meu face, sobre esta copa. Mas não recebi nenhuma revelação de Deus. É apreensão humana mesmo!

Um texto, como este, não ajuda em nada. Apenas espalha crendice e misticismo: coisas que nada têm haver com o espírito do Evangelho.

Portanto, diga NÃO a este tipo de prática!

Antes de você compartilhar quaisquer informações pesquise antes sobre a fonte. Veja se ela é segura e não encaminhe nada se você não estiver seguro sobre a fonte.

Em vez de espalhar terror e medo; espalhe a Esperança e a Graça do Evangelho!

Paz e Bem!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Enfim, a Copa chegou...



Chegou a Copa do Mundo! O evento mais esperado do planeta.
Fora das quatro linhas não preciso comentar porque as manifestações de Junho do ano passado falaram por si. Muito roubo. Muita corrupção. Muito engano. Enfim, o Brasil prometeu um padrão FIFA quando a própria FIFA nem padrão tem. Isto é, o político brasileiro e a cúpula da FIFA: casamento que deu certo. Por conseguinte, deixa-me explicar o que esta copa significa para mim hoje dentro das quatro linhas e, consequentemente, fora também.
Em 1990 sem entender muito bem o significado de uma Copa do Mundo assisti o Caniggia fazer um gol da meia lua contra o goleiro Taffarel. O atacante argentino silenciou o estádio Delle Alpi, em Turim, como calou a minha vizinhança em Pavuna. Assim, o Brasil foi eliminado da Copa da Itália. Para esta copa, colecionei figurinhas para o álbum, mas não as completei. Aliás, nunca consegui concluir um álbum da Copa do Mundo. Que lástima!
Também o ano de 90 marcou uma nova etapa para o Brasil nação. Fernando Collor de Mello assumiu a presidência da república: o primeiro presidente, desde 1960, eleito por eleições diretas. Dois anos mais tarde o presidente sofreu o impeachment. Logo depois, renunciou o mandato. 
Em 1994, no mundial dos Estados Unidos, vi o Brasil campeão após vinte e quatro anos de Jejum de títulos. Assisti também o Galvão gritando desesperado agarrado ao Pelé e ao Arnaldo Cezar Coelho: É tetra! É tetra! É tetra... A raça do Dunga, o eterno capitão da minha geração. Que meio campo aquele de 94! Dunga, Mazinho, Raí e Mauro Silva. O Dunga cerrando o punho na cobrança de pênalti e Baggio isolando a bola são cenas gravadas em minha mente que nunca mais se esvaem. Do mesmo modo o ano de 94 marcava o início do período político de Fernando Henrique Cardoso, o FHC, e o da estabilidade econômica brasileira com o sucesso do plano real. Agora o brasileiro podia se planejar economicamente.
A vergonhosa final de 1998, para muitos uma negociação entre a Nike, a FIFA, a CBF e a organização francesa, tirou-me um pouco do prazer de assistir uma copa do mundo. Aquele mundial foi na França. A partir dali, não vibraria mais como sempre vibrei com a seleção nas duas últimas copas que eu assistira. Quem assistiu todo o mundial e viu a final e a forma como a seleção jogou só podia pensar em roubo. Ela estava simplesmente irreconhecível! Por outro lado em 98, no Brasil, FHC implantou a reeleição cuja base do governo, no Congresso Nacional, comprara votos para o presidente ser reeleito. Não podemos esquecer as privatizações bem sucedidas, mas igualmente as muitas denúncias de esquemas fraudulentos.
A seleção brasileira é campeã do mundo sob a liderança de Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no ano de 2002, na copa sediada no Japão e na Coreia do Sul. Foi a primeira vez que dois países sediaram a mesma copa. São Marcos brilhou; o eterno goleiro do Palmeiras. Romário, o herói de 94, barrado no baile. Mas o centroavante Ronaldo não apenas brilhou, tornou-se o Fenômeno. Arrancadas como as dele é difícil repetir-se. Deixava todos sem fôlego. E o menino Denílson! Os turcos até hoje o estão procurando naquela maré vermelha. Do mesmo modo, o segundo gol contra o melhor goleiro do mundo daquela copa, o alemão Oliver Kahn, foi de extasiar o apaixonado por futebol. Ronaldo armou a jogada e estufou a rede do goleiro alemão dando ao Brasil o pentacampeonato e o posto de o único país cinco vezes campeão do mundo no futebol.
Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito para presidente da república. Pela primeira vez o Brasil tem o governo onde um trabalhador, oriundo do nordeste, mas com a vida política e econômica estabelecida em São Paulo, subiu a rampa do Planalto como presidente. Foi um governo que distribuiu renda. Ações sociais no campo de acesso as universidades e as bolsas para quem precisavam foram marcas do primeiro mandato de Lula. Sua equipe econômica não mexeu no fundamento da Economia desenvolvido na era FHC. Mas no ano de 2005 vieram a tona as entranhas podres do Estado, do Congresso e do Judiciário. O partido que erguia a bandeira da ética passaria à história como o maior dos corruptos da política recente brasileira. A grande obra: O Mensalão.
As copas de 2006 e 2010 o Brasil foi eliminado. Ambas foram sediadas respectivamente na Alemanha e na África do Sul. Concomitantemente, o Lula foi reeleito em 2006 e a Dilma, sua pupila política, eleita em 2010. Foi a primeira mulher a presidir o Brasil na história política.
Estamos em 2014! A copa é aqui, no Brasil. Não levo muita fé na seleção de hoje porque, confesso, há tempo não estou ligado em futebol e copa do mundo. Tenho tido outras prioridades. Mas se o repórter esportivo, Jorge Kajuru, estiver certo o Brasil será campeão. Pois o Ricardo Teixeira acertou com o pessoal da FIFA. Segundo o Kajuru, a seleção perdia a copa na África do Sul e ganharia aqui. Coisas do futebol!
Apesar de tudo eu vou torcer pela seleção. Não sei quem é o meio campo da “canarinho”, exceto o Neymar, o Fred e o goleiro Jefferson do meu sofrido Botafogo. Entretanto, a minha torcida está mais para fora de campo que para dentro dele. Imagine o caos se a seleção for eliminada nas oitavas ou nas quartas de final? No Brasil se arruma “bode expiatório” para tudo. Para os ânimos acirrarem-se não custa. Os movimentos em marcha hoje em nosso país não lembram em nada a espontaneidade das manifestações de Junho do ano passado. As greves são políticas, grupais e segmentadas. Elas não representam o anseio da população, apesar da maioria ser legítima.
Dentro das quatro linhas vou torcer pelo Brasil. Espero ver uma bela final entre a seleção brasileira e a de Portugal. E Neymar e Cristiano Ronaldo duelando.
Mas torço mesmo pelo Brasil fora do campo. O Brasil dos meus pais, o Brasil da minha família, o Brasil dos meus amigos e amigas, o Brasil dos trabalhadores. O Brasil do Brasil. Torço pelo Brasil das consciências cidadãs. Que elas entendam que não é hora de protestar, quebrar ou fazer coisa parecida. À hora é em Outubro. Lá o Brasil precisa ganhar a sua Copa.
Quero ver o resultado das manifestações de Junho nas eleições de Outubro. Removendo toda a situação e colocando no governo quem hoje é oposição. O Brasil decidindo pela alternância do poder: elemento fundamental para qualquer democracia. A classe política que governa hoje precisa ouvir um sonoro e eletrônico não!
A Copa enfim chegou...

M.O.O.
Rio de Janeiro – RJ.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

LIÇÃO 10: O MINISTÉRIO DE MESTRES OU DOUTORES / 2º TRI - 2014

Vivemos num tempo de avanço tecnológico e de multiplicação das informações em distintas áreas do conhecimento. Basta um computador conectado à internet e, pronto: um mundo outrora desconhecido agora se abre para você. Possivelmente, o seu aluno conhece o assunto a ser lecionado nesta semana. Certamente ele pesquisou muita coisa em livros e na internet. E pode ter acumulado até mais informação que o conteúdo preparado para a sua aula. Este é o nosso mundo globalizado!
Nesta lição, o nosso desafio é explicar como se pode relacionar o dom ministerial de mestre com as urgências existenciais dos dias contemporâneos. Não por acaso, ela abre o tema analisando o ministério do ensino em Jesus de Nazaré. O mestre da Galileia era “antenado” com as circunstâncias sociais, políticas e espirituais do seu tempo. Com propriedade, Jesus ensinou sobre a política, as prevenções contra o materialismo e confrontou os discípulos a respeito do verdadeiro sentido da vida humana. Levando sempre uma proposta de vida segundo a perspectiva do Reino de Deus. É a urgência da tarefa de todo educador cristão: levar os alunos a pensarem as demandas da existência à luz do Evangelho e segundo os aspectos positivos e negativos do Reino de Deus (Mt 5―7).

Preeminência do ministério do mestre
Podemos afirmar historicamente que, logo após a morte dos santos apóstolos, as testemunhas da ressurreição do Senhor, os mestres eram líderes chaves na comunidade antiga, assim como os profetas, os evangelistas e os pastores. Ao ponto de a Biblia registrar a exortação apostólica: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1 Tm 5.17). Os presbíteros que se dedicavam ao exame da Palavra de Deus eram estimados por duplicada honra porque eles se afadigavam dia e noite para compreender os mistérios divinos (Rm 12.7). A mensagem do Reino tinha de fazer sentido na vida dos cristãos de outrora.
Caro professor, o Pai concedeu o dom ministerial do mestre para a sua Igreja atingir a estatura de Cristo em sua plenitude. Portanto, estude, persista em ler e reflita acerca da fé; não se esqueça de que os nossos alunos devem enfrentar as questões da vida sob o prisma da mensagem do Reino de Deus. E você professor, é um instrumento essencial nesse processo de formação cristã (Texto publicado na Revista Ensinador Cristão, CPAD, nº 58, p.39).

Marcelo de Oliveira e Oliveira é bacharel em teologia, licenciando em Letras e redator do Setor de Educação Cristã da CPAD. 

domingo, 1 de junho de 2014

Qual é o modelo mais eficaz do Ministério Pastoral

O modelo capitalista de descarte das pessoas?
O modelo de valorização da instituição pela instituição?
O modelo das megaigrejas em meio a uma redondeza constituída de uma população pobre?
O modelo dos eventos, das propagandas, das negociações e dos espetáculos eclesiásticos?

Seja sincero! Se você leu os Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e compreendeu o que Jesus falou e fez, pergunto-lhe: Há lugar para esse modelo capitalista no programa de Jesus?


Diante da liderança apresentada por Jesus de Nazaré, em seus Evangelhos, não é vantajoso imitá-lo no atual cenário religioso brasileiro. Pois não traz lucro, fama e poder. Pelo contrário, emana prejuízo, angústia na alma de viver a realidade do sofrimento dos outros. Jesus falou que, no seu Reino, o primeiro servirá o último. Isto se reproduzindo em sua igreja?
Na verdade é o modelo capitalista que está reproduzido em nossas instituições: pessoas sendo valorizadas não pelo o que são, mas têm; são ordenadas não por vocação, mas por negociação. Nada diferente da gestão mundana de administrar as coisas.

Não tenho dúvidas: o Espírito de Deus se afastou da maioria das megaigrejas do Brasil.
Os líderes podem espernear; baterem na mesa: como no tempo de Jeremias Deus havia abandonado o Templo, o Espírito Santo saiu há muito das megas instituições chamadas: Igrejas.

Se foi; caiu fora!


O que nos resta a fazer?


A boa notícia é que nós somos o templo do Espírito Santo. O Templo não é a Assembleia de Deus. Não é a Presbiteriana. Não é a Batista. Não é a Católica Romana ou a Ortodoxa. O Espírito se volta não para instituições humanas, entretanto, para corações compungidos cheios de amor e e dispostos a estar dentro do programa de Jesus de Nazaré.
Neste tempo, no coração e na vida dos pastores, deve haver o mesmo Espírito de Jesus: priorizar pessoas; amar vidas; compartilhar o Evangelho aos pobres; os pobres devem ser a nossa prioridade. "Aos pobres é anunciado o Evangelho".

Infelizmente o modelo pastoral hoje posto inverteu o público alvo de Jesus: abandonou os pobres e priorizou às pessoas da alta sociedade. Estas têm um bom e vantajoso retorno: o dinheiro. Mas os pobres... Há os pobres...

Então qual é o modelo pastoral mais eficaz:

Se do ponto de vista humano, sem dúvida, é este que aí está e todos conhecem e o vivem intensamente.

Se do ponto de vista do Evangelho, tudo o que Jesus viveu e demonstrou nos Evangelhos: priorizar pessoas, não manipular vidas, não fazer proselitismo barato e apenas pregar o Evangelho na convicção de que o Espírito Santo se encarregará de convencer mentes e corações.

Paz e Bem!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

LIÇÃO 9 - MINISTÉRIO DE PASTOR / CPAD, 2º TRI


Na obra “Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão”, do pastor norteamericano John Macarthur, Jr., editada pela CPAD; o autor relata este comentário: “Reconhecemos essas tendências alarmantes, crendo que as decisões tomadas nesta década reprogramarão a igreja evangélica até boa parte do século XXI. Assim, a futura direção da igreja é uma preocupação preeminente e legítima. Sem dúvida, a igreja enfrenta um momento decisivo. O verdadeiro contraste entre os modelos ministeriais concorrentes não é o tradicional versus o contemporâneo, mas o bíblico e o não-bíblico” (p.22). À que tendências alarmantes, Macarthur se refere? A oito respostas que emergiram de uma pesquisa realizada por John Seel, em 1995, nos Estados Unidos. Elas foram dadas por vinte e cinco líderes evangélicos de renome que foram entrevistados pelo pesquisador.
Dentre oito principais respostas surgidas na pesquisa (identidade incerta; desilusão institucional; falta de liderança; pessimismo em relação ao futuro; crescimento positivo, impacto negativo; isolamento cultural; solução política e metodológica como resposta), a que chama mais atenção é a “troca de orientação bíblica pela pesquisa de mercado no ministério”. Não por acaso, se vê muitos seminários teológicos trocando disciplinas fundamentais para uma sólida formação de um obreiro, como o hebraico, o grego, a hermenêutica, a exegese, etc., por aquelas que enfatizam a gestão, a forma de crescimento de uma igreja local nos parâmetros do marketing e das estratégias meramente empresariais. Aqui, é à hora de a igreja fazer uma profunda reflexão sobre “Que modelo de ministério pastoral se quer exercer nos próximos anos?”
Com intuito de deixarmos em aberto esta reflexão, porque o espaço não permite irmos além, solicitamos ao prezado professor meditar nesta semana em todos os textos bíblicos possíveis ― use as concordâncias bíblicas, dicionários bíblicos e bons comentários para lhe auxiliarem ― em que Jesus aparece como o “Bom Pastor” de ovelhas. Em seguida, procure responder, à luz dos quatro Evangelhos, as seguintes perguntas: Qual o modelo ministerial de pastorado que o Senhor Jesus espera encontrar nos seus discípulos? Que molde de liderança se acha no agir de Jesus de Nazaré? É possível implantar esse ideal hoje? Qual seria o impacto para a igreja e a sociedade? Boa aula! (Texto publicado na Revista Ensinador Cristão, CPAD, nº 58, p.40).

Marcelo de Oliveira e Oliveira é bacharel em teologia, licenciando em Letras e redator do Setor de Educação Cristã da CPAD.